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Marcelo, ganhou o presidente das selfies, que mesmo sendo um professor de Direito
que tb é, com todo o gosto, o blog oficial da Irmandade do Bife Médio (como a maioria assim o come, no nome assim ficará)
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Marcelo, ganhou o presidente das selfies, que mesmo sendo um professor de Direito
Ouço frequentemente “não me interesso por política” e “não percebo nada de política”.Tenho a sensação que quem o diz confunde política com partidos.
Não me interesso pelos partidos, nem percebo nada de partidos.
Já pela política, sim, interesso-me e muito, e a razão é simples.
A política é o governo da nossa vida em sociedade.
A política é decidir quantos impostos se pagam e o que se faz com os mesmos, quantos e onde se constroem hospitais, escolas e estradas.
Por estes assuntos, todos nos interessamos e percebemos (mais de umas áreas que outras).
Os tempos atuais de pandemia mostraram, a quem acha o contrário, que; a política é ainda, e essencialmente, a gestão das liberdades individuais e a defesa do bem supremo que é a dignidade da pessoa humana.
Todos gostamos da nossa liberdade e do
nosso património.
E a política é a gestão, por um governo, dessa liberdade e desse património.
Convém nunca esquecer que as regras processuais (constituição) servem para proteger o cidadão contra o desgoverno de quem nos governa.
Principalmente em tempos de pandemia, temos de estar atentos e interventivos para que quem nos governa cumpra as regras essenciais (como a constituição).
Embarcar em unanimidade e deixar o governo legislar como quiser é abdicar da nossa liberdade, e a história já nos ensinou que isso leva ao autoritarismo com atropelos aos direitos essenciais.
Em tempos como os atuais em que os partidos da oposição passam cheques em branco aos governos em nome da defesa da saúde, nunca nos devemos esquecer das lições da história.
Quando os governos assumem mais poder e impõem mais restrições, devemos estar mais atentos às medidas tomadas pelos governantes e pensar sobre tais medidas.
Pensar não é apenas fazer “like”.
Ao contrário do apregoado por alguns políticos, a saúde, sendo importante, não é o valor mais alto.
O da dignidade da pessoa humana, sim.
A saúde pode ser defendida num regime ditatorial, já a dignidade e a liberdade, que é essencial àquela, nunca é aceite por governantes ditatoriais.
É mais fácil os cidadãos seguirem as normas ditadas pelos governos, quando há coerência e fundamento percetível.
Ora aqui nos Açores:
as touradas são permitidas;
as touradas já não permitidas;
as touradas voltam a ser permitidas.
Já o Azores Rally foi o que foi...
A nível nacional:
os jovens na noite é o maior perigo;
proibiram-se os festivais,
mas a Festa do Avante pode ser.
O tribunal, onde foi interposta uma providência cautelar para impedir a festa do Avante, assobiou para o lado.
Isto sem esquecer que os aviões são o único local de atividade económica a funcionar com lotação a 100%.
Por outro lado, durante o período mais letal até agora da pandemia, o número total mortes estava em linha com o número total de mortes nos últimos dez anos - publiquei um post a 22 de Abril relativo a isso.
No início de setembro, os números de mortes diárias por covid estão muito baixas (2, 3 por dia e em alguns dias nenhum).
Ora morreram mais 5882 nos últimos seis meses do que em período igual no ano passado, apenas 1855 foram de covid, números do INE a 11 de setembro.
Finalmente a realidade a mostrar que a estratégia de deixar por fazer todos os exames, consultas, cirurgias... para concentrar tudo no combate à covid foi errada. Levou a um aumento de 4.027 mortes (não covid).
Ouvi na conferência diária, um membro do governo a mandar condolências aos familiares das vítimas de covid.
Já ouviram isso a respeito das vítimas da gripe sazonal, do cancro ou de AVC?
As vítimas de covid têm mais dignidade do que as outras?
“Eu sou eu e minha circunstância" José Ortega y Gasset
Esta citação faz-me sempre pensar que estamos sempre limitados por um tempo e um espaço.
O mundo atual é o que é.
E divide-se, para o que aqui interessa, em terceiro mundo, principalmente, países africanos e sul americanos,
países pobres e cujas economias são de subsistência; e os países capitalistas, na maioria na europa e américa do norte, com economias baseadas no consumo.
Isto para dizer o seguinte:
decretar o confinamento em países do terceiro mundo pode ser exequível,as pessoas vivem em economia familiar e do que a terra dá (e por vezes é mesmo muito pouco), assim o confinamento não mexe com a estrutura da sociedade.
Nos ocidentalizados, o confinamento para o consumo, cria desemprego principalmente a quem não tem mais do que o suficiente para o dia a dia (a noção de poupança não existe para 90 % da população dos países desenvolvidos). Aqui deixar de receber o salário durante um mês equivale a ir para a fila da ajuda social (quando existe).
Exemplo máximo os EUA!
Quando escrevo o primeiro rascunho deste texto os EUA contam quase 120.000 mortes pelo covid-19, é muito? Sim, claro.
A outra face da moeda, em dois meses de confinamento, são os novos 40 000 000 de desempregados, num país onde o apoio social é fraco e as pessoas não têm pé de meia a que recorrer.
Em Portugal, no fim de junho, mais 103 mil desempregados que em junho de 2019.
Quando não há dinheiro e há fome generalizada o que acontece?
Uns dedicam-se a pilhagens outros mendigam – é assim há tempos imemoriais.
E a isto ligo o seguinte:
O que aconteceu a George Floyd foi abominável.
Mas a mim não me convencem que o desemprego que existe nos EUA e em muitos outros países industrializados não foi também umas das razões para as pilhagens que se verificaram nas manifestações.